MÉXICO – A ÚLTIMA CARONA – 2º parte

Veja a 1º parte

- De que país eres?

- De Brasil!

Essa era uma das palavras mágicas no México. “Brasil” – Capaz de abrir muitas portas. Com certeza, o México é um país irmão, muito parecido com a Argentina, porém, devido estar longe e próximo dos EUA foram criadas barreiras, mas, quem sabe, um dia todas elas caíram.

O mexicano gosta muito dos brasileiros, somos vistos como um país cujas características sociais se parecem muito, e fato é.

O rancheiro ou fazendeiro me explicou que retornou, pois justamente percebeu que eu estava indo na direção oposta ao dos imigrantes ilegais, sendo assim não haveria problemas. E como ele estava indo para Hidalgo, creio que esse o nome da cidade fronteiriça do lado mexicano, quis me ajudar.

O homem era um típico rancheiro do sul, com botas e chapéu. Além da forma simples e sincera de conversar. A está altura da viagem, meio espanhol ou castelhano, depende de como queiram dizer, já conseguia diferenciar sotaques de algumas regiões e de muitos países. Hoje, basta a pessoa falar que, normalmente acerto de que país latino é, ou se é da Espanha. Isso pode ser enquadrado na área de conhecimento: “E daí, grande coisa”

Bem, papos agradáveis e o rancheiro me convidou para jantar, e que iríamos a um bom restaurante, pois seria a minha ultima refeição no México. Apenas teríamos que esperar um pouco para escurecer. Isso foi muito legal, pois aproveitou e me mostrou um pouco da região, entrou por umas estradas de terra, creio até que me mostrou a sua fazenda, porém não disse que era a dele.

DELICIOSOS TACOS

 

Hora da janta, uma saborosa comida, com muita carne, e claro, picante. – Uma coisa é fato – Putz! Como o meu orifício traseiro agradeceu quando sai do México.  O mexicano ama pimenta, tem até sorvete com pimenta, balas, chocolates, variados doces, enfim; tudo tem pimenta e forte. Eu estava todo estourado. Viajar como viajante é isso, estar com o povo o tempo todo e não poder escolher, mas sim, aceitar.

Durante o jantar ouvi palavras deste rancheiro, que jamais me esqueci sobre o México, e que as vi com uma perfeição de análise, assim me disse:

“Meu povo é muito bom, porém somos fortes e gostamos de nossa cultura. Hoje o do norte (EUA) está entrando com muita força, e parte de meu povo está cedendo a eles. É muito difícil saber aonde chegaremos: Ou perderemos a nossa cultura e nos transformaremos mais um parecido com eles, ou eles depois de sacarem o que querem irão embora e o meu país se transformará num caos”

MEXICANOS

Não sei por que, mas eu sempre achei que pessoas simples sabem mais e acertam mais que qualquer dito intelectual.

Barriga cheia, de volta a camionete direção à fronteira. Antes de me deixar, perguntou-me onde iria dormir, disse que mais provável ao lado de um posto policial, por segurança.

– Dale

Esse fabuloso rancheiro, o qual me presenteou com um excelente jantar, somente para demostrar-me o quão bonito são as pessoas de seu país, ainda me deu dez dólares, para eu poder pagar um hotel em Tecun Uman.

Carimbei o meu passaporte, e passo a passo fui cruzando a ponte que separa os dois países. Muito triste, pois sabia que tinha deixado para trás um belo país. Entretanto muito contente, pois vivi quatro meses inesquecíveis.

Já num simples hotel, sentado na recepção, batendo um papo escuto uma música. A qual tinha escutado e cantado muito. O México tem muita música boa.

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