DE LETHEM A GEORGETOWN – GUIANA parte 2

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Da clarabóia (janela no teto) do MiniZen vem a claridade, o dia já vem raiando… Acorda Edu, acorda Geya, pois o dia será inesquecível!

Café feito, pão na chapa, um iogurte, despedida ao casal de índios, e vamos…

Não demora muito é começam a aparecer os atoleiros. Eu na minha mente lembrando o que me falou um motorista:

– São muitos, dezenas, porém 4 pontos são críticos!

Eu não nasci ontem em relação as estradas de terra e seus atoleiros. Com 9 anos de idade estava aprendendo a dirigir, tendo como instrutor meu pai, justamente numa estrada de terra, no interior de São Paulo. Depois disso foram incontáveis as estradas péssimas que peguei mundo afora. Com motorhome algumas, e com a graça de Deus sempre consegui concluí-las.

– Vocês vão atolar!

Mais ou menos uma hora depois vem o primeiro ponto crítico. Realmente muito crítico, difícil não atolar ali. E mais pontos com muita água, por sorte fazia 3 dias que não chovia.

E o percurso vai sendo feito. Nosso objetivo era chegar à balsa, 80 km da entrada da Reserva Florestal, de onde saímos pela manhã. O MiniZen vai muito lento, impossível desenvolver velocidade, e o mais importante: Ele não pode quebrar, pois se isso acontecer seria um seriíssimo problema para nós.

Meu ombro dói muito, é muito estresse, qualquer deslize seria cair num atoleiro que sabe lá como sairemos… Ao nosso redor somente a Selva Amazônica, por momentos totalmente fechada.

Vem o segundo ponto crítico… feia a coisa! Continuando: mais pequenos atoleiros.

Em certo momento, uma Van vem em sentido contrário (coisa rara), o motorista, um negro de uns 35 anos (na Guiana a maioria é negra), faz sinal para pararmos. Muito gentil, ele nos dá instruções de como devemos agir após a próxima descida… Ele bate no seu coração fortemente, com os punhos fechados, simbolizando coragem para ultrapassar. (Acho que ele foi enviado por um anjo, ou foi o Anjo).

Foi um momento muito estranho, pois também ultrapassou-nos uma Van, a única neste trecho. Rapidamente pensei: tenho que tentar segui-la para ver como fará. Afinal, esses motoristas conhecem o trajeto, porém andam rápidos, sem dó do carro, e sem dó de tombar… são loucos! E ainda tem a vantagem dos passageiros empurrarem quando atolam.

 Tentando seguir a Van, pois o problema está no final da descida

Pouco mais, olho tudo aquilo:

– Meu Deus !!!

Olhei para a Geya e como sempre repeti as mesmas palavras:

– Segura firme!

Eu segui as orientações dele, ou seja, por onde passar. Talvez se o MiniZen tivesse o eixo 5 cm maior cairíamos num atoleiro de uns 2 metros… Pior; o Minizen iria tombar! Ao lado era onde os caminhões ficavam sempre atolados, e formaram crateras enormes.

Creio que minha adrenalina nestes momentos vai a toda. Eu nem pisco os olhos, nem olho nada ao meu redor, concentração máxima… Segundos únicos na vida!

O Local era tão justo que riscou bem o MiniZen, no encostar da mata, mas pintura é fácil arrumar, difícil é não ter-la para arrumar, pois o motorhome nunca fez nada.

Passamos e não atolamos neste local. Paro uns 50 metros à frente e peço a Geya para tirar umas fotos do local, pois é impossível tirar quando atravessamos por estes locais, devido o MiniZen pular muito, são buracos gigantes. Entretanto, ela mal conseguiu retornar 10 metros, pois seu chinelo afundou na lama. Infelizmente não foi possível fotografar… O susto foi feio!

E mais atoleiros, e mais atoleiros, e somente atoleiros. Já não aguentava mais. Por fim, após horas, chegamos à balsa. Nela, encontramos a Van que nos ultrapassou, o motorista estava apertando uns parafusos na suspensão, aliás, fiz isso umas 5 vezes durante todo o trajeto até Georgetown. Eu conheço cada barulho diferente do MiniZen. Lhe fiz a pergunta clássica:

 Entrando na balsa… De ré

– A estrada está pior ou melhor, após o rio?

– Tem dezenas de pontos ruins nos próximos 40 km, mas depois é mais suave.

Eu já tinha contado os 4 pontos críticos que passamos, não atolar só por milagre mesmo!

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